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Cê, lançada pela Quixote+DO, reúne as paixões de Isabelle Scalamabrini: a poesia e a música

A literatura e a música movem-se juntas no exercício da escrita de Isabelle Scalambrini, uma jovem poeta que lança seu segundo livro pela Quixote+DO Editoras Associadas. reúne a produção intensa da autora: são 65 poemas e nove prosas que foram criados sempre com uma trilha sonora ao fundo. O livro leva o mesmo nome do álbum de Caetano Veloso de 2006. Mas a inspiração para a poesia de Isabelle surgiu também de outros discos icônicos do artista baiano. Ela conta que construiu ouvindo os discos Transa (1972), Caetano Veloso (1971) e Araçá Azul (1972). 

Poema para Caetano: “Caê, escrevi um livro com o mesmo título que um disco seu é só tirar um a e fica

cê/cê é inspiração e cê”

– em algum de seus significados no livro – aparece  como uma abreviação carinhosa de “você”. Mas aparece também com seu significado em tupi guarani: “cê” é “canta”.  As outras trilhas sonoras aparecem ao longo do livro em epígrafes ou transformadas em versos.

=Música é muito importante na hora de minha escrita. Sempre estou ouvindo algum disco ou alguma playlist que criei para esses momentos”, conta Isabelle. Além da inspiração pela música, ela mantém uma rotina de leitura consistente. “Eu estou sempre em contato com a poesia e a literatura, até como teoria”, afirma.

Isabelle dividiu o livro em sete partes – “sete faces, como o poema do Drummond”, diz ela em referência ao Poema de Sete Faces do poeta itabirano Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) (“Quando nasci, um anjo torto/Desses que vivem na sombra/Disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida”). São sete vozes de Isabelle em Cê, que falam do amor e da mulher.

Influências e inspiração 

Com 21 anos completados em março de 2020,  Isabelle tem uma trajetória pelos livros que começou ainda adolescente. Ela escreveu seu primeiro livro com apenas 15 anos e o segundo, aos 17. Em Cê, além da poesia, ela apresenta pela primeira vez sua produção de prosas, e se arrisca em novas formas da escrita. Sempre mantendo a literatura e a música lado a lado. 

Na produção jovial e vibrante de Isabelle, artistas da música como Caetano Veloso, Anelis Assumpção, Ana Frango Elétrico, Maria Bethânia, Rubel, Gil, Milton Nascimento, Jorge Ben, Letrux, Céu, Duda Beat e Chico Buarque caminham juntos com nomes relevantes da literatura. Atualmente, sua maior influência é Drummond, mas também sua formação aponta para autores como Sophia de Mello Breyner Andresen, Adília Lopes, Valter Hugo Mãe, Angélica Freitas, Guilherme Gontijo Flores, Ana Martins Marques, Wislawa Szymborska, Sebastião Uchoa Leite.

Poetas falam sobre Cê

O livro de Isabelle Scalambrini traz uma experiência de comunhão entre a música e a palavra e acho que isso é grande. Assim, o celebrado poeta Pedro Muriel define Cê. Para Muriel, Isabelle trouxe coisas muito importantes para a conversa literária.  “Eu acho que o Cê é, mais do que tudo, o amor da palavra com a música”, diz. 

A poeta e bailarina Paula Davis, uma das idealizadoras do podcast Vitamina P, faz um relato sensível:

“Gosto de ter o Cê por perto. A capa inspira, assim como o cheiro, as cores, o detalhe do verde nas bordas das folhas, a orelha larga, a textura do papel…tudo nele atrai. A simplicidade elegante do livro é uma agradável companhia.

Agora sobre o dentro; vamos ao miolo, ao cerne. Sob a ótica do movimento, que me norteia as sensações, o livro dança. É um constante arco que vai se construindo, circula e pontua, circula e pontua, e nunca para. Segue em frente, dançando variados ritmos. Afinal, Isabelle, poeta tão jovem, tem muito caminho a seguir e Cê encanta também por isso: é o terceiro livro publicado dessa autora de 21 anos, idiossincrática e ao mesmo tempo plural, viajante que carrega uma avalanche de poesia na mochila e que vem derrubando com pedras poéticas os preconceitos a respeito de vivência versus bagagem. “Olá, viajantes, estou viajando também…” é a frase do livro que para mim sintetiza tudo. “Cê” é uma viagem. E em ótima companhia.

A autora

Isabelle Scalambrini nasceu em Alès, na França, morou em Diamantina até 2006, quando se mudou para Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Atualmente, cursa Estudos Literários na Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Seus livros  anteriores são Uni- versos, pela editora Letramento, e A Cor dos Meus Versos, pela Quixote+DO Editoras Associadas. 

Isabelle também tem um blog sobre música: https://milagredospeixes.design.blog/.

“Assimilo minhas maiores paixões, música e poesia, escrevendo sobre álbuns de artistas que admiro faixa a faixa, focando nas letras e minhas interpretações dela”, conta.

A poesia de Isabelle:

olá, viajantes, estou

viajando também e

antes que me perguntem

por que já digo que não tenho

respostas e procuro

por uma ou

por meia até

o dobro de uma

 

o milton nascimento me ajuda e

sophia de mello também, mas a

virada do ano mais ainda e

os últimos ocorridos também

 

tudo também porque está

na medida que nunca imaginei

mas sonhei e, de repente,

vivo

 

o avião daí de cima não permite

o diálogo que desenhei no céu

que os vejo e

finjo que sinto

durante a chuva de verão

 

mas, então, viajantes viajem por mim também  estou estática no que sou agora e quero ser também

 

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