A Quixote+Do lança O Foco das Coisas & outras histórias da premiada autora mineira Ana Cecília Carvalho. Livro é o segundo da Trilogia da Inquietude da autora

A Quixote+Do lança O Foco das Coisas & outras histórias da autora mineira Ana Cecília Carvalho, uma autora premiada e reconhecida pela crítica literária. O Foco das Coisas & Outras Histórias integra a Trilogia da Inquietude da escritora e não é um livro de transparências, mas de nuances e de sombras. Imagens de confinamento traduzem, com inteligência e bom humor, a vida, mesmo quando se está diante de um tratado poético sobre a desesperança.

Este é o segundo livro de uma Trilogia da Inquietude. O primeiro livro que deu início a essas histórias inquietas foi Os Mesmos e os Outros: o livro dos ex, de 2017.

A escritora Branca Maria de Paula,fala sobre o livro: “Eu literalmente devorei “O foco das coisas & outras histórias”, arrastada pelo ritmo alucinante dos textos de Ana Cecília, que acompanho desde as últimas décadas do século passado. Tive que partir minha leitura em duas etapas porque comprei o livro no sábado e só pude abri-lo à noite. Mas fui obrigada a parar na página 60, vencida pelo sono. Que sonhos tive? Não me lembro. Mas devo ter me perdido em labirintos tais que qualquer possibilidade de encontrar o foco de volta soava distante. Tratei de acordar.  

Acredito que nosso querido Murilo Rubião (ai, que saudades!) soprou diretamente no ouvido da Ana Cecília esses contos mágicos. Mas ela nega, não sei por quê! Parafraseando a autora: Pobre leitor aprisionado! Só lhe resta virar a página e encarar o minuto seguinte. Como pegar um raio de sol?”

Para Lyslei Nascimento, escritora e professora do Departamento de Letras da UFMG, O Foco das Coisas & Outras Histórias é conciso, como aqueles martelos que batem nas cabeças de pequenos pregos ou na ponta dos dedos, este livro provoca uma suspensão, várias suspensões, no ritmo da leitura, na respiração, nos sentidos. 

Ela diz: “O espaço entre os textos oxigena, minimamente, a leitura e o leitor vê-se num labirinto de vários níveis, com a sensação de se estar preso, tal qual um mergulhador de águas profundas com escafandro com o mínimo de ar respirável. Ou, ainda, como alguém perdido em um deserto amaldiçoado por capturar um gato, o leitor deverá abrir mão da rede que lhe confere uma imaginária segurança de ver sentido em tudo. 

Equilibrar-se no fio estreito das certezas é condição para se aproximar desses textos estranhamente belos e inquietantes. O leitor perceberá que, como na célebre lição de Graciliano Ramos, “liberdade completa ninguém desfruta: começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a delegacia de ordem política e social, mas, nos estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer”. 

Luis Giffoni, escritor, também comenta a obra de Ana Cecília Carvalho: 

 “O foco das coisas & outras histórias é uma dessas criações que custam para ficar prontas (no papel e no efeito que provocam), cuja digestão é prazerosa à medida que nos lembramos de seus personagens e enredos. O mistério das tramas sobrenada, o incômodo da lateralidade no tempo e no espaço assoma, a imaginação se funde com a realidade. Pergunte a Bia ou Benjamin em “Enquanto isso não se revela” – ou a Pedro, em “O passado”, quando acelera rumo ao futuro. Ou a Mirna, em  “A festa dos sonhos”. Inquira a brancura de “Segunda charada: o motivo”. Se não conseguir resposta, socorra-se em “Pós-escrito”. Pois é. Talvez a dúvida resista. Ficção é isso. Um espelho quebrado onde nos dividimos em múltiplas faces, experimentamos diversos cozimentos, mergulhamos em mil e uma noites de invenções. Qual o sultão enredado por uma trama inexistente, somos aprisionados pelo texto fascinante de Ana Cecilia Carvalho. Ela acende o fogo das coisas. 

O Foco das Coisas & Outras Histórias surpreende, diz Lino de Albergaria, escritor. “Histórias tão breves, mas precisas no efeito de cativar e estranhar o leitor. E bem diferentes de Os Mesmos e os Outros: o livro dos ex, tão mais próximo e irreconhecível, mas igualmente inquietante. Em certos momentos achei que estivesse  lendo Cortázar ou Borges, como se els estivessem vivos e publicando novos contos. Texto e fabulação requintadíssimos. E depois, ainda vem um romance, A memória do perigo, que aguardo curioso. Muito bom mesmo!”

Mais autores comentam o segundo livro da Trilogia da Inquietude

Cibele Ruas-Nichols, psicanalista

“O Foco das Coisas & Outras Histórias” é uma obra prima. Não consegui parar de ler. Recebi hoje de manhã e devorei com gosto e com inquietação esses instantâneos da vida como ela é, como diria Nelson Rodrigues. O livro é forte, é belo, impávido colosso.

Ruth Silviano Brandão, escritora, ensaísta, professora de literatura

Comecei a ler “O Foco das Coisas & Outras Histórias”. Muito bom, com um estilo que aponta sempre para algo inexplicável que falta, mas que é um ponto do indizível  , presente e ausente.  Sua escrita parece exibir uma simplicidade, uma obviedade, que é fruto de um excelente manejo da língua. Uma linguagem que vai ali: no ponto.  Nem mais nem menos. Imagino o próximo livro, A memória do perigo,  vai produzir o mesmo efeito de leitura. Você realmente é das melhores escritoras do nosso tempo.

George Borten 

Como segundo volume da “Trilogia da Inquietude”, “O Foco das Coisas & Outras Histórias” cumpre realizar um segundo movimento, como o “adagio” de uma sinfonia. Cessa a chuva, o Sol aparece, mas também o frio, e o deserto, prenúncios de solidão e introspecção. Uma transição suave, com mãos de mestra, que nos deixa com alta expectativa sobre o terceiro volume.

Aqui o tema central se desloca dos destroços do campo dos conflitos interpessoais, para algo mais intimista, a impossibilidade de um olhar verdadeiro sobre as coisas. Ora estará desfocado para o que está à nossa frente, ora voltado para um futuro que não acontecerá, ou a um passado possuído por fantasmas. Como se estivéssemos condenados a contracenar com nós mesmos em um palco vazio, e sem plateia.

Ana Cecília, como uma Scheherezade literária contemporânea, nos leva a encarar a nossa inquietação. Queremos sempre o que não temos, somos incompletos e talvez procuremos ser assim mesmo. Só amamos o que acabamos de perder. Só somos preenchidos pelas ausências irrecuperáveis. Adoramos ir atrás de um sentido sempre adiado, em uma busca constante e permanente, fugindo das certezas e das exatidões. Não desejamos, no fundo, chegar a um porto seguro, amamos o perfume da dúvida, da ambiguidade, do inefável. Ser humano é ser inquieto e isto talvez nos resuma.

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