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O livro que Papai Noel perdeu

Meninos e meninas de todas as idades, deixem-me contar uma coisa incrível…

Você sabe o que Papai Noel gosta de fazer enquanto seus ajudantes estão arranjando os brinquedos e já organizaram a lista de crianças bem-comportadas? Ele lê. Ele gosta muito de ler. Os livros favoritos de Papai Noel são aqueles com bastante suspense e tensão. Ele adora livros de horror, assassinato e mistério e já leu de todos os tipos: romances góticos, novelas de detetive, pulp fiction… Ele devora cada página, ansioso para chegar até o capítulo final e conhecer o desfecho quando o monstro é morto ou o culpado é revelado.

O ano passado foi um ano muito atribulado. Papai Noel finalmente foi obrigado a aceitar que a maioria das crianças usava e-mails para enviar seus pedidos de Natal. Até então, ela ignorava a internet e com isso muitas crianças comportadas terminaram o ano sem ganhar o presente que mereciam. Ele ficou mortificado ao descobrir tal coisa e chamou seu ajudante mais confiável e pediu-lhe para instalar um computador com sinal de internet. Essa não foi uma tarefa fácil e só foi possível depois que descobriram que o nariz vermelho de Rudolph também fornecia um sinal Wi-Fi.

Como todo mundo que utiliza a Internet pela primeira vez, o Papai Noel era lento, apertando as teclas apenas com o dedo indicador. No entanto, o Papai Noel aprende rápido, pois já havia passado por tantas mudanças, e estava determinado a compensar cada e-mail não respondido nos anos anteriores. Isso deu muito trabalho… e Papai Noel foi obrigado a deixar o livro “O estranho caso do da máscara de dragão perdida”, que estava lendo, naquela noite, de lado, quando faltavam menos de trinta páginas para a conclusão.

Foi tudo feito apressadamente e Noel conseguiu colocar o gorro na cabeça na última hora. Mas não se preocupe, era Noite de Natal e Papai Noel é Papai Noel, milagres são a norma e todos ganharam os presentes que mereciam. Ele voltou para casa, se sentindo como um saco de presentes: vazio, pronto para o abraço da esposa, um banho quente, chá e para saber quem havia roubado a máscara de dragão. Ele ainda estava envolvido pela toalha, pingando água no tapete, enquanto procurava pelo livro:

– Meu peruzinho – era assim que ele a chamava – você viu o meu livro?

– Eu vi com você, ao lado da mesa, perto dos presentes ainda por embrulhar.

– Sim, mas não consigo encontrá-lo! Você deve ter colocado em outro lugar.

– Meu querido pudim de ameixa – Ela disse e apontou para o visco sobre suas cabeças – eu não toquei no seu livro. Acredite em mim. – E ela beijou sua testa – Agora, saia do meu tapete, está ficando todo molhado!

E ele não ousou desobedecer, não debaixo do visco. Depois de procurar pela a casa toda, perguntando a todos os ajudantes, o Papai Noel chegou à seguinte conclusão: na confusão, o livro foi misturado com os presentes, embrulhado e entregue para um menino ou a uma menina.

– Oh, querido, não é um livro destinado a crianças.

– Pior! Eu preciso saber o final!

– Oh, querido pudim de ameixa, você pode ler outro livro.

– Eu quero esse livro, esse livro – Ele disse com as bochechas vermelhas, batendo o indicador na palma da mão esquerda, como se o livro estivesse bem ali.

Tudo isto aconteceu no ano passado. Papai Noel leu muitos outros livros, mas toda vez que fechava um deles, suspirava, pensando na máscara do dragão. Mas neste ano, pulou da cama com sua risada tradicional.

– Oh, cala a boca – Mamãe Noel disse aliviada ao ouvi-lo feliz outra vez.

– Eu observo as crianças todos os anos, você sabe…

– Sim, querida!

– E eu sei que a pequena Maria Clara Penafiel pegou o livro, está com ela, no quarto dela.

– Oh, a pobre menina leu esse livro?

– É um bom livro de suspense, não seja tão crítica. Mas é claro que ela tem apenas oito anos. Crianças nesta idade, na melhor das hipóteses, leem Turma da Mônica!

– Oh, isso é tão triste!

– Portanto, ela não se importará se eu recuperá-lo.

– Meu querido!

– Nunca deveria ter ficado com ela, em primeiro lugar!

– Mas e se ela tiver lido?

– Claro que não leu. É apenas uma criança que prefere brincar com bonecas!

– Se você diz isso – Ela se virou na cama, mas ele sabia que ela lhe daria uma gelada por algum tempo e considerando que moravam no Polo Norte, seria algo muito frio, mas Papai Noel não se importava. Ele conseguiria o livro de volta.

Papai Noel deixou para entregar os presentes na casa de Maria Clara Penafiel por último. Estacionou as renas no teto e saiu andando na ponta dos pés. Claro que Papai Noel conhecia todos os truques para entrar despercebido em uma casa, mas era a primeira vez que estava entrando para retirar algo. Nunca antes ele havia feito isso, nem mesmo pegara uma uvinha e imagine quantas vezes encontrou mesas servidas com um banquete? Ele ouvia o som do telhado rangendo enquanto andava.

Quando Papai Noel estava dentro da casa, o que ele encontrou? Adormecida em uma poltrona, a pequena Maria Clara e junto dela, Jackson Penafiel. Papai Noel piscou os olhos ternamente, pois sabia que ambos haviam se comportado bem naquele ano, então, algo chamou sua atenção aos pés da poltrona: um livro aberto no chão, como se ele houvesse caído do colo das crianças.

– Como? – Ele disse com o coração batendo forte de tanta emoção – É a máscara do dragão! Abandonado de maneira tão descuidada. Acho que no próximo ano, alguém estará na lista das crianças malcomportadas! – Ele disse e pegou o livro.

Bem, neste ano, Maria Clara estava na lista certa, então Papai Noel removeu os dois últimos pacotes do saco e foi até à árvore de Natal, tentando ser o mais silencioso possível:

 – Aqui, o que temos? Para o bom Jackson um caminhão falante que anda sozinho cheio de luzes brilhantes e tem uma buzina bem barulhenta. Ho, ho, ho. E para Maria Clara, o que será? Outra boneca, como todos os anos?

Era um pacote pesado. Compacto. Papai Noel franziu o cenho.

– Estranho… parecem ser livros. – Ele verificou na lista: “3 livros do clube do detetive amador”. Papai Noel colocou o pacote debaixo da árvore e depois alisou a barba. Ele pegou o “O estranho caso da máscara de dragão perdida” e folheou as páginas. Aqui e ali, encontrou sinais de manuseio do livro: a lombada estava um pouco solta, tantas vezes o livro havia sido aberto, havia um pequeno sulco no meio do livro, onde um lápis provavelmente fora usado para marcar a progressão da leitura, uma pequena marca rosada resultante de uma gota de suco de morango que caiu em outra página e na primeira página, estava escrito com uma caligrafia redonda e bem caprichada: Maria Clara Penafiel, detetive de primeira classe acompanhado por três corações pequeninos.

Papai Noel suavizou o semblante, voltou muito devagar até o sofá, colocou o livro no mesmo lugar que encontrara, aberto na mesma página, e olhou com orgulho para as crianças.

– Ho, ho, ho – ele disse e saiu dali leve como um floco de neve.

Quando chegou em casa, Mamãe Noel até o perdoou rapidamente, mas não sem antes perguntar:

– Ao menos, você já leu as últimas páginas do livro antes de devolvê-lo?

– Ho…ho…ho….

Ele havia esquecido!

A equipe da Quixote+DO deseja um Feliz Natal e um próspero Ano Novo para todos os companheiros dessa viagem que chamamos de Literatura.
DeLivros de presente.

Até 2022
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